quarta-feira, 13 de maio de 2015

Petrolândia: Trabalhadores rurais acampam em frente à Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga.






Foi nas primeiras horas da manhã dessa terça-feira dia 12/05/15, que aproximadamente 5 mil trabalhadores rurais das cidades de Petrolândia, Jatobá, Floresta, Belém do São Francisco, Itacuruba, Orocó, e Santa Maria da Boa vista reunidos, acamparam em frente ao portão principal de acesso a área interna da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, Itaparica, no Sertão do estado de Pernambuco, distante 500 km da capital pernambucana.

 


Tropas do Exercito brasileiro, na área interna, protegia a Usina Hidrelétrica, e impedia a ocupação por parte do movimento sindical. Ate presente momento, o movimento tem se apresentado pacífico, sem registro de incidentes. Do lado externo da Usina, no local onde os sindicalistas estão acampados, registramos a presença de Policiais Militares da 4ª CIPM, que estavam em uma viatura, e com o principal objetivo na manutenção da ordem.

 

Do município de Petrolândia, foram reunidos sindicalistas das comunidades Barreiras, Projeto Apolônio Sales, Icó-Mandantes, Limão Bravo. Estão participando líderes de todas as agrovilas do município.

Registramos a presença do prefeito Deda, da cidade de Orocó, dos vereadores Rogério Novaes e Zé Pezão da cidade de Petrolândia, do vereador Eraldo (PT) da cidade de Jatobá. A presença do presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Petrolândia, representantes do movimento sindical, e do presidente do PT de Petrolândia, Srs. Natan e Maurício.

Um detalhe que chamou a atenção deste blogueiro: não registramos a presença neste movimento, de nenhum dos líderes políticos que antes das ultimas eleições para presidente, fizeram um movimento para impedir que se realizasse o teste de bombeamento de água do canal da transposição. Qual a diferença daquele para o atual movimento sindical de relevante interesse público social?! Acreditamos que a diferença é que aquele movimento antes das eleições reuniu um pequeno numero de pessoas, representadas apenas por dois políticos, e que só precisou de uma dezena de policiais da Força Nacional para barrá-los, e as bombas d’água foram testadas pela Presidenta do Brasil, enquanto que no atual movimento, iniciado na manhã desta terça-feira dia 12/05, estão participando prefeitos, vereadores, líderes comunitários, representantes de classes de vários municípios, e que foi necessária uma tropa inteira do Exercito brasileiro para impedir a ocupação da usina pelos sindicalistas.

 


Conversamos com o prefeito Deda, da cidade de Orocó, ele nos disse que “- tem dado total apoio, e que desde o início vem participando deste movimento. Segundo Deda, Orocó tem sua fonte de renda baseada na agricultura, e as maiores produções são bananas, mamões, macaxeira, e agora no Município a cultura do Inhame, que tem apresentado bons resultados comerciais”. “Sempre marcou presença nos movimentos populares e sindicais, e acha mais do que justo este movimento sindical onde os trabalhadores acamparam na frente da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, porque o Governo Federal não teve respeito com este povo, tirou o povo de suas terras e mandou para outros Municípios, deixando-os jogados. Não deu a atenção que o povo precisava ter”. “- O povo tem que fazer o movimento, tem que se manifestar, e tem que mostrar ao Governo Federal que ele tem que ter um pouco mais de respeito pela população.
São palavras do prefeito Deda, de Orocó: “Estamos hoje sofrendo e sentindo as conseqüências de um processo que vem se arrastando a vários anos, e não se tem soluções concretas”. “Inventaram que é um momento de crise, e estão querendo cortar a energia elétrica dos projetos agrícolas, estão querendo abandonar o povo. Esperamos com este movimento chamar a atenção do Governo Federal”.

 


Na conversa que tivemos com o vereador Rogério Novaes, da Câmara Municipal de Petrolândia, ele disse que “- é porque existem acordos do ano de 1986 que os projetos ainda não foram feitos Existem muitas pendências nos estados de Pernambuco e Bahia, principalmente no projeto Icó-Mandantes, onde está localizada nossa residência, existem mais de 200 lotes com pendências”. “Essas pendências são lotes “descartados” (improdutivos), e dentro do acordo existe uma clausula onde se diz que teria 5 anos para quem tivesse algum problema no lote, que haveria a reposição de outro lote, ou seja, uma nova área. Isto nunca aconteceu”.
Segundo o vereador Rogério Novaes, “a reivindicação maior é porque recentemente foi cortada a energia elétrica, pelo fato de não ter sido paga a energia devida às concessionárias (Celpe e Coelba). Foram feitos acordos perante os ministérios, e desse acordo a gente que saber se vai ter realmente resultado, para que este ano na haja o corte de energia, e que no próximo ano estivéssemos prontos para pagar água, mas que tirassem as pendências”.
Rogério Novaes faz a seguinte pergunta: “como é que vamos pagar energia, no caso água, se estamos numa área “descartável” (improdutiva)?!”
Segundo Rogério Novaes “a intenção do movimento é chamar a atenção do Governo Federal, para que se possa discutir novamente o acordo de 1986, que não está sendo cumprido. Esperamos por soluções através do Ministro da Casa Civil, Ministro das Minas e Energia, e Ministro da Integração”. “Existe um problema com relação às empresas de operações e manutenção dos projetos (perímetros irrigados), que estão sem receber subsídios do Governo Federal, para que sejam feitos os pagamentos tanto de água, como de operação.” “Neste caso específico de manutenção e operação do projeto, a solução tem que vir do Ministério da Integração.”

Conversamos também com Natan, presidente do PT de Petrolândia, que está dando total apoio ao movimento sindical.
Natan diz que: “com relação ao reassentamento a gente sabe que há muitos anos, teve vários problemas, e nunca foram concluídos pela Chesf conforme o acordo de 1986. Vai fazer 30 anos que os agricultores estiveram aqui, dentro deste mesmo espaço, com muita bravura, naquela época com aproximadamente o mesmo número de sindicalistas de hoje”.
“Os movimentos mudaram a cultura, e trousse recursos a essas famílias, mais não é por isso que se acabaram os problemas do reassentamento, ela é uma luta cotidiana, e o sindicato vem trabalhando isso. Temos muitas dificuldades de entendimento dos reassentados, não todos, mais uma grande parte”.
Segundo Natan, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolândia, “o MST está dando importante apoio ao movimento para ocupação da UH Luiz Gonzaga, e as duas representações de classe, Sindicato e MST, são muito parecidas, os quais lutam pela dignidade, pela terra, pela produção familiar”.
“Uma das principais reivindicações na pauta é a troca do sistema de irrigação, do convencional para um sistema mais novo. No sistema convencional se gasta 1.460 litros de água por hora, enquanto que no sistema moderno, através da micro-aspersão tem uma economia comprovada de 70% de água, além de não agredir o solo.”

 
Pessoas de todas as idades, as jovens sindicalistas, com alegria e satisfação, participam do movimento e lutam por seus direitos. 

Por fim conversamos com Eraldo do PT, ex-coordenador do pólo sindical, e atualmente vereador do PT na cidade de Jatobá:
Perguntamos ao vereador Eraldo qual seria a principal reivindicação?
Ele nos respondeu que “é a recuperação dos projetos já em funcionamento, e sendo o mais importante a questão da energia dos projetos da agricultura irrigada. Se interromper o fornecimento de energia elétrica, automaticamente vai prejudicar o abastecimento de água, causando irreparáveis prejuízos à produção agrícola irrigada”.
“O movimento deseja ver a solução de todas as pendências, a questão dos reassentados e a questão da interrupção de energia elétrica.”