segunda-feira, 20 de abril de 2015

Avó de criança foi mandante de chacina no Agreste de PE, diz Polícia

Bernadete de Lourdes Brito Siqueira Rocha


Sete pessoas foram indiciadas pela chacina que aconteceu em Poção, no Agreste do estado, em fevereiro deste ano, e que resultou na morte de três conselheiros tutelares da cidade e de uma mulher de 62 anos. As conclusões do inquérito foram divulgadas nesta segunda-feira (20), no Recife. Para a polícia, a oficial de justiça Bernadete de Lourdes Brito Siqueira Rocha, avó paterna da única sobrevivente da chacina - uma menina de 3 anos -, foi a mandante do crime, motivado pelo interesse na guarda da criança. "São dois motivos: primeiro a guarda da criança, que era uma disputa muito firme entre as duas familias. E também desavenças, ameaças mútuas, inclusive agressões verbais e físicas", diz o delegado Erick Lessa.


Advogado José Vicente Pereira Cardoso da Silva, ex-diretor da Penitenciária de Arcoverde


Bernadete teria recebido ajuda de um advogado que foi diretor da penitenciária de Arcoverde para contratar os executores. Também foi indiciado um homem que teria feito a ponte com os acusados de atirar nas vítimas. A polícia concluiu também quem foram os autores do crime -- um deles está preso em Caruaru, no Agreste, e o outro está foragido. Outros dois homens deram suporte e facilitaram a fuga dos assassinos. Dos sete indiciados, apenas esse suspeito de ser um dos atiradores está foragido.


Leandro José da Silva foi quem fez o contato com os assassinos.


O crime foi planejado desde 2014, de acordo com a polícia. Na ocasião da chacina, no último 6 de fevereiro, três conselheiros tutelares e uma mulher de 62 anos -- avó materna da neta de Bernadete Rocha -- foram mortos no sítio Cafundó, em Poção. A única sobrevivente da chacina foi a neta de Bernadete, uma criança de três anos. A avó paterna é acusada ainda de ter matado a mãe da criança por envenenamento, em dezembro de 2012.

Bernadete Rocha teria pago R$ 45 mil pelo crime, e tinha ainda a intenção de matar todos os parentes maternos que pudessem impedi-la de ficar com a guarda da neta, de acordo com a investigação, que foi concluída em pouco mais de dois meses.

O Ministério Público de Pernambuco vai encaminhar a denúncia ao Judiciário. O destino da menina ainda não foi definido. "Aquela criança presenciou as quatro mortes e, esteve, até a chegada da Polícia Miltiar e do Samu, imóvel, abraçada ao corpo da avó. Ela precisa de proteção do estado, de assistencia familiar, mas isso será verificado oportunamente", detalhou a promotora de Justiça Ana Clézia Ferreira Nunes.


Egon Augusto Nunes de Oliveira, que está preso, atirou nos conselheiros.


Welington Silvestre dos Santos, foragido, atirou nos conselheiros.


Orivaldo Godê de Oliveira, (preso) é o pai de Egon, deu suporte e facilitou a fuga dos assassinos.


 
Ednaldo Afonso da Silva, (preso) deu suporte e facilitou a fuga dos assassinos.


Os sete acusados responderão por quatro homicídios duplamente qualificados e podem pegar até 210 anos de prisão. O pai da criança, que chegou a ser preso por suspeita de envolvimento com o crime, não foi indiciado. A investigação acredita que ele foi envolvido no crime pela própria mãe, mas não sabia de nada.


Fonte: G1 - Pernambuco



Transcrição de parte do vídeo da Globo:


Para a polícia não há dúvidas de que a oficial de justiça Bernadete de Lourdes Brito Siqueira Rocha foi a mandante da chacina. De acordo com as investigações ela recebeu ajuda do advogado José Vicente Pereira Cardoso da Silva, que já foi diretor da penitenciária de Arcoverde, para contratar os executores do crime. Os contatos com os assassinos foram feitos com o intermédio de Leandro José da Silva. A mando de Bernadete, Leandro Fez contato com integrantes de grupos de extermínio que atuam no agreste e sertão de Pernambuco. A mulher pagou R$ 45 mil reais pelo crime.

Segundo o delegado Erick Lessa foram dois motivos para o crime, o primeiro a disputa pela guarda da criança, e o segundo desavenças e ameaças mútuas com agressões verbais e físicas.

A polícia concluiu que Egon Augusto Nunes de Oliveira, que está preso em Caruaru, e Welington Silvestre dos Santos, que está foragido, teriam atirado nos conselheiros tutelares e na avó materna da criança. Orivaldo Godê de Oliveira, pai de Egon, e Ednaldo Afonso da Silva, que também já estão presos, deram suporte e facilitaram a fuga dos assassinos.

Ainda de acordo com a investigação da policia, Bernadete, avó paterna da criança, queria matar todos os parentes maternos que pudessem ficar com a guarda da neta. A mulher é também acusada de matar por envenenamento a mãe da menina em dezembro de 2012.

O Ministério Público de Pernambuco vai encaminhar agora denuncia ao Poder Judiciário. O destino da criança ainda não foi definido.

Os sete indiciados vão responder por quatro homicídios duplamente qualificados, a pena máxima é de 210 anos. O pai da criança José Cláudio Brito Siqueira, que foi preso acusado de ter envolvimento com o crime, não foi indiciado ao final do inquérito policial. Para a polícia ele foi envolvido na situação pela própria mãe mais não sabia de nada.