sábado, 24 de janeiro de 2015

Serratalhadense Jair Ferraz é vítima de negligência em hospital do Recife



Por Giovanni Sá
 

O ex-secretário de Desporto, Cultura, Turismo e Lazer de Serra Talhada, Jair Ferraz, entrou em contato com o FAROL na última quinta-feira (22) para denunciar que vai processar o Real Hospital Português (RHP) em Recife. Segundo Ferraz, o hospital recusou-se a prestar-lhe os primeiros socorros, após ele ter sofrido um acidente no interior de uma das UTIs do próprio RHP. Jair disse estar indignado com o descaso no atendimento “grotesco” que ele e seu cunhado, Izomar Luiz Ávila dos Anjos, receberam.
O parente de Jair está internado no RHP para tratamento de câncer de próstata. De acordo com Ferraz, na terça-feira (20) ele estava acompanhando Izomar Luiz Ávila dos Anjos e, após uma noite longa e cansativa, por volta das 6h (21) despertou com o paciente caindo do leito no qual estava deitado e conectado a aparelhos médicos.
“De súbito pulei do sofá que havia passado a noite, para que o meu cunhado não caísse e se desconectasse dos aparelhos e medicamentos, e não batesse com a cabeça no chão”, relatou Jair Ferraz. O ex-secretário revelou que após fazer o esforço para ajudar o paciente, instantes depois começou a passar mal, puxou uma cadeira e sentou-se próximo ao cunhado e logo em seguida sofreu um desmaio.

“Não sei por quanto tempo permaneci desmaiado. Quando comecei a recobrar os sentidos, estava caído com a cabeça em uma poça de sangue. Passei um bom tempo sangrando tentando me levantar e entender o que havia acontecido, mas como o sangramento continuava intenso e percebendo que não viriam para nos socorrer, me arrastei até a porta e com o apoio da maçaneta consegui ficar de pé. Abri a porta e saí cambaleando pelo corredor e gritei por socorro. Voltei para o quarto e fiquei ao lado do meu amigo até a chegada do socorro”, contou.
Ferraz contou que, quando o socorro médico chegou no quarto, uma das médicas que o examinavam questionou se ele tinha plano de saúde: “O corte na cabeça dele é grande e profundo… precisamos suturar imediatamente… ele terá que ficar em observação – será que ele tem plano de saúde?” indagou, recebendo a resposta de Jair: “Não tenho plano de saúde.” Foi o estopim para negarem o atendimento ao serratalhadense.
“Depois que eu disse isso, me colocaram no sofá com as pernas para o alto ao mesmo tempo em que eu reclamava de fortes dores no pescoço e nas costas. Então me deixaram ali e saíram. Após um longo período, puxei uma manta para me cobrir uma vez que sentia calafrio”, revelou Jair Ferraz.
Ainda de acordo com Ferraz, quando finalmente a enfermeira que cuidava do seu cunhado retornou ao quarto para atender o paciente, ele indagou se o deixariam morrer ali a míngua como se ele fora um indigente. “Vou embora daqui imediatamente, vou procurar um socorro adequado, estou com a cabeça aberta, exposto a uma infecção hospitalar… mas me aguardem porque esse descaso grotesco terá desdobramentos”, disse indignado.


HOSPITAL SABIA DE TUDO

Segundo Ferraz, a enfermeira disse que eles sabiam tudo que tinham que fazer, mas que quando agem sem autorização é descontado dos seus salários. E saiu apressada para logo em seguida retornar com a enfermeira chefe e a médica de plantão.
De acordo com Jair, em tom autoritário, a médica disse que ele não sairia do hospital sem autorização médica, e se retirou. Alguns minutos depois voltou com um homem forte, o qual usava uma farda, e que em tom intimidador, que disse: “O senhor não vai para a emergência”? Ao qual ele respondeu no mesmo tom:” Não. Porque? Você vai me levar a força?”. E funcionário se retirou.
Logo após, de acordo com Ferraz, sua irmã chegou para ficar com o seu cunhado e ele saiu andando apesar das fortes dores que sentia na cabeça no pescoço e nas costas.
“O que vivenciei dentro das dependências de um hospital que se diz referência, foi surreal e imoral. Senti-me como se fora um lixo humano, jogado e desprezado ali, apenas porque disse que não tinha plano de saúde, e isso não pode ficar sem uma resposta a altura. Vou cobrar da justiça para que o RHP tenha uma punição exemplar, e para que não volte a tratar a vida humana com tanto desprezo e desrespeito”, concluiu indignado, enfatizando que foi um episódio paradoxal.
“Um estabelecimento que deveria salvar vidas, negou-se a prestar socorro imediato a um acompanhante de seu paciente, acidentado no interior de suas acomodações, mesmo após verificar a gravidade da ocorrência. Preocupando-se tão somente com o aspecto financeiro, questionando se a vítima era associado ou não à de plano de saúde”, desabafou Jair Ferraz.

Fonte: Farol de Notícias
Fotos cedidas ao Farol de Notícias pela família.

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