sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Petrolândia: Cooperativas transformam lixo em fonte de renda no Sertão de Pernambuco


O trabalho em comunidade ajuda na reciclagem do lixo no Sertão de Pernambuco. Produtores locais transformam material descartado em arte, fonte de renda e cidadania. O trabalho que é feito no interior do Estado pode servir de exemplo para todo país, que não reaproveita a grande quantidade de lixo que produz.
Segundo dados do Governo Federal, somente 10% dos resíduos gerados nas cidades brasileiras são reciclados e apenas 18% da população do país tem acesso a programas de coleta seletiva. Em Pernambuco, 10 mil toneladas de lixo são produzidos por dia, quase 30% poderia ser reciclado, mas apenas 3% recebem tratamento para reutilização.
No Sertão de Pernambuco, antigos agricultores se tornaram piscicultores e formaram uma cooperativa no município de Petrolândia, a 430 quilômetros do Recife. Eles produzem 20 toneladas de tilápia por ano em gaiolas instaladas no Rio São Francisco. O peixe é garantia de renda e qualidade de vida para os pescadores, mas servem também como matéria prima para mulheres da comunidade.
O couro dos animais que era jogado no lixo, agora é utilizado na criação de bolsas, sapatos e acessórios. A iniciativa partiu de Dona Fátima, que estava inconformada com o desperdício e buscou uma maneira de aproveitar o que era descartado do peixe. Ela fez cursos, procurou financiamento e montou a cooperativa.

 

Todo o processo é artesanal, o que acaba limitando a produção. "Falta incentivo para produção industrial, mas o produto sempre vendeu muito bem", afirmou Dona Fátima. O trabalho pela valorização da matéria prima, também chamado de ecodesign, é fundamental para a questão ambiental e ajuda várias comunidades no interior de Pernambuco.
O Projeto Toque na Lata, formado por crianças carentes de Arcoverde, no Sertão do Moxotó, transforma o lixo em instrumento musical. Os baldes, garrafas pet e latas que poluiriam o meio ambiente se transformam em música nas mãos das crianças. Uma alternativa para quem convive com o perigo das drogas e da marginalidade. Os jovens carentes do interior recebem lições de preservação da natureza e de cidadania através dos ritmos regionais.

Fonte: TV Jornal