CONTATOS PARA ANÚNCIO: thiagoferraz@outlook.com.br

CONTATOS PARA ANÚNCIO: thiagoferraz@outlook.com.br

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

'Deveria adiar para todos', diz aluna atingida por mudança no Enem

Jeniffer conta que ficou frustada ao saber da decisão do MEC (Foto: Thays Estarque/G1)
Jeniffer Barcelar, 18 anos, se preparou o ano inteiro para tentar medicina.
Em PE, mais de 13 mil pessoas farão provas nos dias 3 e 4 de dezembro.

Do G1 PE
A estudante Jeniffer Barcelar, de 18 anos, faz parte do grupo de 13.581 mil pessoas que não farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dias 5 e 6 de novembro, em Pernambuco. Isso porque o Ministério da Educação resolveu adiar as provas dos estudantes que realizariam o teste nas universidades e institutos ocupados por jovens contrários à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos gastos da União. Com a nova data definida para os dias 3 e 4 de dezembro, Jeniffer acredita que o melhor seria adiar o Enem para todos.
“O problema é a questão de a segunda prova ter o mesmo nível de dificuldade que essa primeira. Principalmente, pelo tema da redação, que é o mais esperado. Eu acho que o governo deveria adiar para todos”.
Estudantes de Recife comentam adiamento do Enem; na foto, Annee Caroline, Camila Ávila, Débora Lima, Matheus Cazé e João Paulo de Lima (Foto: Thays Estarque/G1)
Prestando vestibular para medicina, um dos cursos tradicionalmente mais concorridos, a estudante conta que ficou frustrada ao saber da decisão do MEC. Se preparando há um ano, incansavelmente, pensou que já faltava pouco para tirar esse peso das costas.
Mesmo defendendo o adiamento para todos, a estudante acredita que isso não resolveria a  questão das ocupações e seus impactos. “Adiariam as provas para todos e os estudantes ocupariam as escolas das pessoas que, até então, não estão ocupadas. Isso desencadearia um problema bem maior. Acredito que dividir torna até mais fácil para reorganizar os alunos, porque fica um quantitativo bem menor”, pondera.
Sem poder fazer nada, Jeniffer conta que já está conformada. “Eu não posso mudar isso. Já está decidido. O que me resta fazer é rever os assuntos que tenho mais dificuldade e estudar, estudar muito até lá. Tenho que me acalmar e pensar positivo, que terei mais tempo para estudar para um vestibular muito concorrido. Isso pode até me ajudar”, conclui.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou, na terça-feira (1º), a lista das 384 instituições de ensino ocupadas no Brasil que seriam locais de prova. Em Pernambuco, as unidades afetadas estão localizadas no Recife; em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul; em Garanhuns, no Agreste; em Ouricuri, Petrolina e Salgueiro, no Sertão.



Estudante João Paulo recorre à massagem para se acalmar na reta final do Enem (Foto: Thays Estarque/G1)
“Pior momento”
O procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho, chegou a pedir, na quarta-feira (2), a suspensão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por acreditar que estabelecer datas diferentes para as provas, com temas diferentes da redação, causa uma desigualdade na seleção. No mesmo dia, o MEC acionou a Advocacia Geral da União (AGU) para tentar derrubar a ação na Justiça.
Também tentando o curso de medicina, a estudante Camila Ávila, 19 anos, diz que essa indecisão só prejudica o candidato em um momento que já é, naturalmente, extremamente estressante: a reta final.
“Eu mesma já estou muito cansada. Eu não vou conseguir dar meu máximo. Se adiar, claro que eu não vou deixar de estudar, mas poderia fazer outra coisa e isso é péssimo. Nós já estamos saturados e ainda vem uma notícia, uma incerteza dessa, na última hora. É o pior momento para isso”, pontua.
O local de prova de Débora Lima, 18 anos, não foi um das 19 áreas ocupadas em Pernambuco. Mesmo assim, a jovem diz que a mudança no cronograma a deixou muito abalada.
“Eu fiquei muito nervosa domingo, mas meus pais me apoiaram. Meu pai já queria que eu parasse de estudar, que eu ficasse uma semana todinha sem estudar. Querem que eu fique calma, mas não tem como não estudar”, conta apreensiva.
Contrário à PEC, o estudante Matheus Cazé acredita que a polêmica que gira em torno das ocupações e da decisão do MEC só colocou a população contra o movimento democrático. Para ele, tudo não passa de um “joguete político”.
“É o planejamento de todo ano que se muda numa semana. Foi um joguete político. Acredito que dessa forma o governo deixou a população contra o movimento. A partir do momento em que o povo está contra você não tem como essa reivindicação dar certo”.


“Pensava que já estava livre, que já ia passar esse momento de tensão de prova, mas logo depois eu vi por um lado positivo. Penso agora que terei mais tempo para estudar. O meu curso é muito concorrido e quanto mais tempo para estudar melhor”, lamenta.
A PEC pretende limitar os gastos do governo federal nos próximos 20 anos. O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados. Agora, ele segue para o Senado, onde será apreciado e tramitará como PEC 55. Ao todo, 447.287 mil pessoas farão o Enem em Pernambuco.