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quinta-feira, 2 de junho de 2016

A TRAGÉDIA NOSSA DE CADA DIA E O SILÊNCIO DO CIDADÃO

Por Daniel Filho
www.bloggotadagua.com.br

O Blog do Jair Ferraz parabeniza o grande amigo e blogueiro Daniel Filho pelo artigo publicado hoje em seu blog acima citado.


Imagens: Divulgação


Significado da palavra FATALIDADE - destino que não se pode evitar.
O sobrepeso de um feto NÃO PODE ser diagnosticado e, assim, evitar riscos à mãe e à criança?

Uma gravidez e parto tranquilos são tão complexos assim?
Uma maternidade dispor de uma ambulância é difícil?
Pacientes, após cirurgia, serem levados em transportes adequados é exigir muito...?
E um pai ter o direito de assistir ao parto do filho?

Estamos mesmo falando de fatalidades? Em Petrolândia insensibilidade, imprudência, imperícia e negligência são comumente "resolvidas" com o uso desse substantivo. A banalização do absurdo é a mais cruel cortina de fumaça ao nosso caos social.
Ao Blog Gota D’água chegam dezenas de depoimentos absurdos oriundos das duas unidades de saúde mantidas pelo SUS em Petrolândia, porém raras são as que chegam a conhecimento público. Esta publicação irá mostrar como poderiam ter sido as manchetes se os casos não tivessem sido abafados e os pacientes, por motivos diversos, se calado.

COMO SERIAM AS MANCHETES SE OS CASOS TIVESSEM VINDO À TONA?


AUMENTA O NÚMERO DE CESÁREAS EM PETROLÂNDIA – Mesmo com orientações da OMS, ANS e Ministério da Saúde pela redução do procedimento, que deveriam ser um último recurso em caso de riscos para a vida da mãe e do filho(a), em Petrolândia as cesáreas são mais comuns que se imagina.”

BEBÊ MORRE NO PARTO – ‘A dificuldade se deu pelo sobrepeso da criança. Não foi possível diagnosticar pela ultrassom que ela havia aumentado mais de dois quilos em duas semanas’, declarou um dos funcionários. Os pais preferem não dar nenhuma declaração.”

PAIS FICAM A MERCÊ DE CARONA PARA LEVAR SEU FILHO À UTI EM RECIFE POR FALTA DE AMBULÂNCIA – A criança ficou entre a vida e a morte.”

PROBLEMAS NO PARTO – bebê morre depois de dois meses internado em Recife. Mau procedimento no parto e falhas nos laudos, feitos em Petrolândia, prejudicaram. O pai estuda a possibilidade de processar o hospital.”

PAI É PROIBIDO DE ASSISTIR AO PARTO DO FILHO – atitude do hospital fere a Lei do Acompanhante. ‘Não chamei a polícia, pois não queria por em risco a vida de minha esposa e filho com o estresse, mas é frustrante ter um direito seu violado. Roubaram um sonho meu’, declarou o pai.”

PARTO E ERRO MÉDICO: MÃE VAI PARA A UTI ENTRE A VIDA E A MORTE – Após a cesárea e procedimento cirúrgico, paciente tem intestino perfurado e vai às pressas para a UTI com infecção. O recém-nascido, longe da mãe, necessitará ser alimentado por leite artificial. ‘O tipo de leite é caro, mas o hospital disse que pagará enquanto meu neto precisar’ declarou a avó que ficará com o bebê enquanto sua filha não retorna.”

DEPOIS DE TRÊS MESES NA UTI, MÃE FINALMENTE VAI CONHECER SEU FILHO – O sofrimento de estar entre a vida e a morte por erro médico que lhe perfurou o intestino durou três meses: ‘Entrego a Deus’, declarou a mãe, quando questionada se tomaria providência contra o hospital. ‘Meu sonho é conhecer meu filho’ completa.”

MÃE QUE TEVE INTESTINO PERFURADO EM CIRURGIA PÓS-PARTO TERÁ QUE USAR BOLSA DE COLOSTOMIA POR SEIS MESES.”

PACIENTES PASSAM MAL APÓS CIRURGIA – Mais de dez pacientes cirurgiados passam mal ao serem transportados de maneira inadequada em uma van e são atendidos às pressas em cidade vizinha.”

“PROFISSIONAL DE SAÚDE, EM REDE SOCIAL, DECLARA: ‘SE ESSE BLOGUEIRO SAFADO CHEGASSE AQUI NO HOSPITAL EM MEU PLANTÃO EU APLICARIA UMA INJEÇÃO LETAL NELE’ – A declaração foi dada em rede social após matérias publicadas em blog local que denunciavam equívocos no hospital.”

MÉDICO É BARRADO NA ENTRADA DO HOSPITAL – ‘Mudamos as regras do hospital, agora só pode entrar com aviso prévio e autorização. Uma forma de organização’, declarou o responsável pelo setor. ‘Interessante que a regra não funciona para todos’ destacou o médico que teve sua entrada proibida.”

APÓS NEGLIGÊNCIA NA RETIRADA DE UMA SONDA, PACIENTE FICA COM SEQUELA IRREVERSÍVEL – No procedimento o paciente teve a uretra mutilada. Questionado se processaria o hospital afirma que não quer confusão e que os responsáveis teriam garantido que arcariam com os custos dos curativos e sonda que precisará usar para o resto da vida.”

CURATIVOS A DOMICÍLIO NÃO SÃO DE OBRIGAÇÃO DO HOSPITAL – Foi a declaração dada para a justificativa do cancelamento dos curativos e sondas que eram entregues ao paciente que teve a uretra mutilada por negligência médica. Após ameaças da família de tornar o caso público a unidade de saúde voltou atrás da decisão e disse que continuará fornecendo o material.”

MÉDICO NEGA LICENÇA À GESTANTE COM INFECÇÃO URINÁRIA – ‘Ele disse que não pode dar a licença, pois atende a recomendações para não fazer. Disse ainda que eu aguentaria trabalhar porque eu sou forte... Um absurdo’. Declarou a mãe, funcionária pública.

SOFRO DA COLUNA, FIZ CIRURGIA RECENTEMENTE E PRECISO FAZER O ACOMPANHAMENTO EM RECIFE, MAS PARA VIAJAR NESSES ÔNIBUS NÃO DÁ!” – Depoimento de paciente que necessita do TFD (Tratamento Fora do Domicílio), ofertado de forma inadequada.

EU GRITAVA DE DOR NA HORA DO PARTO, MAS ME DIZIAM PARA QUE EU DEIXASSE DE FRESCURA!” – A paciente questiona sobre a humanização nos hospitais.

Os depoimentos, convertidos em manchetes acima, são de familiares, amigos, vizinhos e os casos são mais comuns do que podemos imaginar. Podendo você, leitor, acabar por se identificar com alguns deles. Então propomos a reflexão:

Se procedimentos tão comuns e simples aos profissionais de saúde se convertem em tragédia com tanta frequência, podemos dar nome a isso de fatalidade ou cabe cogitar também: imprudência, imperícia e ou negligência?

Com essa publicação nosso blog visa não apenas promover a reflexão crítica, mas também da mudança de postura. Quando o cidadão denuncia outros poderão ser poupados de dor e sofrimento, quando se cala permite a continuidade dos erros e põe em risco outros.
Denúncias podem ser encaminhadas ao CREMEPE (Conselho Regional de Medicina de Pernambuco):


Ou órgãos competentes como Ministério Público: