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sábado, 26 de março de 2016

Lava Jato: Esquema de propina da Odebrecht funcionava desde governo Sarney



A 26ª fase da operação Lava Jato, ocorrida nesta semana, expôs a existência de um "departamento de propina" na empreiteira Odebrecht. Novos documentos mostram que o esquema pode ser muito mais antigo do que se pensava, e pode ter acontecido durante o mandato presidencial de José Sarney (1985-1990). Procedimentos bem parecidos com os apontados pela Polícia na Lava Jato aconteceram na época e envolviam 516 agentes públicos entre empresários, senadores, ex-ministros e integrantes de partidos como PSDB, PMDB e PFL (atual DEM).

Segundo informações do portal UOL, são mais de 400 documentos da empreiteira Odebrecht com datas em sua maioria do ano de 1998, com detalhes de remessas de propinas a políticos. A documentação veio de uma ex-funcionária da Odebrecht. Assim como na Lava Jato, codinomes eram utilizados por quem recebia a propina. Porém, a Odebrecht afirmou "que não se manifestará sobre o tema". Todos os políticos ouvidos negaram qualquer envolvimento em esquema de propinas.

O documento que reunia essas provas foi chamado de "Livro de Códigos", onde havia uma lista batizada de "Relação de Parceiros". O nome de Antonio Imbassahy, atual deputado federal pelo PSDB – que tinha o codinome "Almofadinha", é um dos citados, e estaria relacionado à obra da barragem de Pedra do Cavalo, na Bahia.

Também do PSDB, Arthur Virgílio, atual prefeito de Manaus, recebe o codinome "Arvir". Do PMDB, são citados Jader Barbalho ("Whisky"), atualmente senador, ligado à obra da BR-163, no Pará, e o ex-ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão ("Sonlo"). Os filhos do ex-presidente José Sarney, Fernando e José Filho, aparecem com os codinomes "Filhão" e "Filhote"; Roseana Sarney, como seu nome de casada, "Roseana Murad", aparece como "Princesa".

Esquema era menos 'organizado'
 
Na lista está também o ex-presidente Fernando Collor de Mello ("Mel"), relacionado a um emissário submarino construido na década de 1980, quando ele era governador de Alagoas. "O esquema naquela época era mais ou menos como esse divulgado essa semana, só não tão organizado assim. Esse esquema de propina, de fraudar licitações, sempre existiu na empresa. Aliás em todas as grandes, o esquema sempre foi esse", explica Conceição Andrade, ex-funcionária da empresa e que trabalhou no departamento responsável pelos pagamentos – a antecessora de Maria Lúcia Tavares, que delatou o esquema atual na Lava Jato.

"Quando fui demitida e peguei os pertences pessoais, esses documentos estavam no meio da caixa, acabaram vindo junto. As pessoas recomendaram que me desfizesse, mas achei bom guardar. É preciso traçar um paralelo, mostrar que isso é antigo. Alguns desses crimes podem até estar prescritos, mas isso tudo mostra que o esquema vem de bem antes. A saída é reforma, não é demonizar o PT", explica a ex-funcionária. As provas se encontram, agora, nas mãos da operação Lava Jato.