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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Uma série de doenças associadas ao zika


Síndrome Congênita do Zika. É assim que cientistas paraibanas estão classificando o conjunto de alterações fetais que começaram a ser verificadas em bebês de mães expostas ao vírus durante a gravidez. E não se trata apenas da microcefalia, que já acumula mais de 5 mil notificações no Brasil. A anomalia no tamanho da cabeça do bebê é apenas uma das facetas do que a infecção pode causar. Pesquisadoras de Campina Grande, na Paraíba, estado que primeiro relacionou o zika a bebês microcéfalos, descobriram que o vírus pode causar uma série de malformações, entre elas a artrogripose, que traz danos musculares e articular dos fetos, e a ventriculomegalia, o acúmulo de líquido no cérebro no lugar do tecido neural.

“Nos primeiros casos, o comprometimento era neurológico. Mas, nos subsequentes, outras lesões foram sendo identificadas. Partiu-se para algo muito além da microcefalia”, afirmou a neurocirurgiã e diretora do Hospital Municipal Pedro I, Alba Gean Batista. A unidade de saúde fica em Campina Grande, município que fica a 132 km de João Pessoa, capital paraibana. A especialista, em conjunto com as médicas Adriana Melo, Melania Amorim e mais 15 profissionais da unidade, lidera uma forçatarefa que acompanha um grupo de 25 bebês paraibanos, além de estudar natimortos cujas mães tiveram zika.

O Hospital Pedro I é a referência do estado da Paraíba para os casos de microcefalia e demais alterações congênitas. É lá que o grupo de 25 crianças é acompanhado pelas pesquisadoras que estudam a Síndrome Congênita do Zika. A pequena Lara, de dois meses, está entre esses bebês. A mãe, Arlene Aguiar, 37, vive no município de Queimadas, no interior paraibano. Ela teve zika aos três meses de gestação quando, inclusive, teve um ameaça de aborto.

Aos sete meses, durante um exame de ultrassom, descobriu que a filha tinha microcefalia. “Foi difícil e ainda é. Não faltam lágrimas. Sinto que ainda não conheço nada dessa doença”, confidenciou. Lara nasceu com 27 cm de diâmetro na cabeça, quando o padrão é 34 cm. Um exame feito pelo oftalmologista já confirmou que ela tem lesão ocular nos dois olhos. Outras análises serão feitas pelo grupo de cientistas para identificar se a síndrome atingiu outros órgãos.

NOVAS DOENÇAS - Do grupo das 25 crianças analisadas, 60% apresentam aumento de líquido na cabeça sem implicação no tamanho do perímetro encefálico (ventriculomegalia, quando é encontrado líquido no lugar de tecido neuronal na cabeça). Já a outra malformação descoberta pelos pesquisadores (artrogripose, que é a deformidade e rigidez nos membros superiores e inferiores) foi encontrada em quatro bebês, que nasceram mortos ou que sobreviveram porcas horas.

A neurocirurgiã Alba Gean Batista lembrou que a descoberta dos primeiros casos de crianças com malformações em decorrência da infecção viral mostravam um comprometimento no sistema nervoso central. “Em 90% dos casos que estudamos no início observamos a diminuição do cerebelo, parte do cérebro responsável pela coordenação motora. Mas, à medida que os casos de microcefalia se avolumavam, fizemos novos achados, como a artrogripose”, destacou. Também foram identificados malformação no fígado e rins. Em dois casos de autópsia em fetos com malformação o teste para zika foi positivo no tecido nervoso.

Fonte: Folha PE