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sexta-feira, 20 de março de 2015

Opinião da Dra. Lindy Campos sobre os ultimos protestos em prol, e contra a Presidenta Dilma


Por Lindy Campos.

 
Saudações à todos os leitores do Blog do Faguinho Athos, Portal P1 Agreste, e Blog do Jair Ferraz.
 
Esta semana quero conversar com vocês sobre um dos assuntos que vem movimentando a mídia e as redes sociais no ultimo fim de semana, que foram os protestos em prol e contra o atual governo federal, mais especificamente contra a Presidente Dilma. Porém, antes de falar necessariamente sobre os protestos ocorridos, gostaria de trazer alguns conceitos que se fazem importantes no debate político. São eles: Em questão ideológica, há de se falar em partidos de direita e esquerda. Os políticos “DE DIREITA” representariam o interesse de grupos dominantes e a conservação dos interesses das elites. Por outro lado, os políticos “DE ESQUERDA” teriam uma orientação reformista baseada na conquista de benefícios às classes sociais menos privilegiadas.
 
Já quanto os regimes políticos, tem-se que o SOCIALISMO visa uma sociedade totalmente igualitária, sem distinção nas classes sociais e total controle de renda e comércio pelo Estado, onde existe uma socialização dos meios de produção. Já o CAPITALISMO é o oposto, onde o acúmulo de bens e a abertura para a globalização são alguns dos elementos principais. Neste sistema, vemos que existe um cenário propenso para o grande crescimento econômico e investimentos estrangeiro, porém, problemas como a desigualdade social, isto é, a concentração do lucro nas mãos de poucos. O COMUNISMO é muito parecido com o socialismo, porém, diferente do anterior, não necessita da existência de um Estado para controlar e impedir a entrada do capitalismo.
 
No que tange à INTERVENÇÃO MILITAR, diz-se que as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. Diante do fato de que vivemos em uma democracia representativa, qualquer ação militar precisa ser requisitada por um dos três “poderes constitucionais”, inspirados na velha teoria da separação dos poderes de Montesquieu: Legislativo, Executivo ou Judiciário. Não é concebível imaginar que, indo às ruas com cartazes, o povo possa, respaldado pela Lei Suprema do país, convocar as Forças Armadas a derrubar a Presidente, tratando-se então de um golpe de estado.
A DITADURA é um regime governamental onde todos os poderes do Estado estão concentrados em um indivíduo, um grupo ou um partido. O ditador não admite oposição a seus atos e idéias, possui poder e autoridade absoluta. É um regime antidemocrático onde não existe a participação da população.
 
Já a DEMOCRACIA é a forma de governo em que a soberania é exercida pelo povo. Neste sistema político, o poder é exercido pelo povo através do sufrágio universal. É um regime de governo em que todas as importantes decisões políticas estão com o povo, que elegem seus representantes por meio do voto. É um regime de governo que pode existir no sistema presidencialista, onde o presidente é o maior representante do povo, ou no sistema parlamentarista, onde existe o presidente eleito pelo povo e o primeiro ministro que toma as principais decisões políticas.
Depois de analisados todos esses conceitos que se fazem imprescindíveis no debate político sobre as manifestações ocorridas no último fim de semana, para não se buscar um dizer contraditório ou ainda leviano.
 
Bem os fatos foram os seguintes: 13 de março de 2015: Manifestações ocorridas em várias cidades do país, convocadas pela CUT e movimentos sindicais dos mais diversos gêneros em prol da Presidente Dilma Rousseff, mas também não esquecendo de reivindicações por melhorias nas condições de vida da população brasileira, mas não culpando apenas uma pessoa e sim todo o sistema político. Trazendo assim, a grande questão da "Reforma Política", que já engavetada por muitos, não se tem como a solução de todos os problemas do Brasil, porém traz-se a ideia de que mudariam muitas situações atualmente existentes.
 
15 de março de 2015: Manifestações ocorridas nas principais cidades do país, convocadas por movimentos de direita como o Movimento Brasil Livre, Vem Pra Rua e Revoltados Online. Aderiram oficialmente aos atos os principais partidos de oposição do Brasil: DEM, PSDB, PPS e Solidariedade., com adesão de inúmeros partidos políticos. Tal movimentação chamada de "Anti-Dilma", "Pró-Impeachmant", entre outros, pregavam o afastamentos do atual quadro do poder executivo do país, mas também buscavam melhorias para a sociedade.
 
Vale salientar que segundo a Constituição Federal de 1988, é assegurado o livre direito de associação e manifestação dos cidadãos brasileiros, então o que faz entender que as duas manifestações foram legítimas, uma vez que o povo saiu às ruas para manifestação de sua vontade. O que não é legítima é a manifestação de ódio e desprezo no encarar de um debate que tem cunho político e não politiqueiro.
 
Se vale falar primeiramente do caráter democrático de tais atos, uma vez que já se lutou tanto para que "nossa sociedade" hoje pudesse ir às ruas e falar suas opiniões, sem a opressão de um tirano ou ainda restrições de uma ditadura que desrespeita a liberdade de expressão da maneira mais vil que possa existir, de forma violenta e restritiva. É através desse movimentos que o povo pode ser ouvido nas ruas e serve também como uma forma de pressionar àqueles que fazem, julgam e executam as leis.
 
Porém, o que assusta é a disseminação do ódio entre as pessoas, onde em grande parte das entrevistas apresentadas pela mídia, são ditas palavras de baixo nível contra à maior autoridade do país, ou seja, a presidente, bem como palavras ofensivas contra partidos políticos e opiniões diversas dos movimentos e ideologias ali pregados.
Não querendo nem citar às posições de pessoas que não sabiam nem o que estavam fazendo ali, como dizia Hebert Viana "caíram de gaiato no navio!", que estavam indo pela primeira vez a um protesto, depois de verem a Globo News divulgando à todo instante que as ruas estavam tranqüilas e pacíficas, onde "pessoas de bem" estavam buscando mudanças para o país.
 
Ou ainda citando aqueles que acreditam que todas as tragédias que ocorrem no Brasil e no mundo são a culpa de uma única pessoa, "Ahhhh... o 11 de setembro é culpa do PT!" (Bin Laden confabulou com o partido que nem estava no poder ainda, uma vez que FHC era o presidente na época), entre outros absurdos que querem enfiar de "goela" abaixo das massas. E outra, a culpa do que está acontecendo não é minha, Eu votei no Aécio! Desculpinha mais sem graça essa, uma vez que ele tem culpa também ao passo que a reforma política poderia ser uma luta dele, que nada faz para tira-la do papel.
 
E os artistas que emprestaram seus lindos rostinhos para convocar a população a participar daquela movimentação "global". Ou ainda os militares tratados como heróis salvadores da pátria, que através de uma intervenção militar teriam o poder de tirar o país das mãos desses "vagabundos e ladrões" que estão no poder. Vale lembrar que a PIOR DEMOCRACIA É MUITO MELHOR QUE A MELHOR DITADURA, mas isso são cenas para um próximo debate.
A reforma política, assunto que muito em breve trataremos aqui também, traz em seu ínterim mudanças que diminuiriam os meios corruptivos, bem como a compra de votos, seria algo quase inexistente, uma vez que os recursos poderiam ser escassos. Hoje, uma campanha política pode chegar à valores astronômicos, e ganha quem tiver mais poder de compra, ou seja, dinheiro, este que vem dos grandes empresários do país, que financiam as mesmas, independente de quem ganhe. Grandes empreiteiras doam pra candidato A e B a mesma quantia e esperam favorecimentos pós vitória de qualquer um dos mesmos. Uma reforma poderia mudar esse poder, porém basta que aqueles que nos representam estejam dispostos à realmente desempenhar seu papel designado.
 
Vale ressaltar ainda que tais eventos foram fatos midiáticos, convocados pela mesma numa expressa motivação para enfraquecer a presidente. Mas observando a imprensa internacional, verifica-se que os principais jornais declararam os movimentos como de "manifestações da classe média alta e festival de ódio". A revista de economia Forbes chamou os protestos de “festival do ódio”. O jornal americano New York Times ressaltou que o impeachment ainda parece uma possibilidade distante, e defendeu a postura de Dilma diante dos protestos. O italiano La Republica destacou que havia manifestantes pedindo intervenção militar para “por fim ao predomínio político do partido dos trabalhadores”. Já o espanhol El País noticiou, na capa do periódico, que “os protagonistas das marchas pertencem às classes médias mais educadas”. Na argentino Clarín, destacou-se que o deputado federal Paulinho da Força (SD-SP) foi “o único que levou grande número de manifestantes que não são nem brancos nem ricos para a manifestação”. O diário destacou, porém, que Paulinho – líder da Força Sindical e um dos únicos a defender abertamente o impeachment da presidente- foi hostilizado por manifestantes que apenas “toleram” a camada social de trabalhadores representada por este político.
 
Sim, eu acredito que o país está precisando de grandes reformas, inclusive uma mudança de panorama, no que diz respeito aos direitos do cidadão, porém não sou adepta de posições extremistas (nem de direita, nem esquerda), uma vez que acredito que o debate consciente pode nos levar por caminhos inimagináveis. Acredito também que a verdadeira democracia é feita pelo debate, mas também nas urnas e no dia-a-dia em sociedade.
 
A democracia consiste na possibilidade de que cada um possa ter seus direitos respeitados, na limitação do direito do outro, bem como ter sua representação nos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). e como já dito, o discurso político é válido para que novas possibilidades sejam pensadas e adotadas, e não posso nem vou mentir, "me emociona ver o povo na rua, lutando por seus ideais, falando mesmo, sem nenhuma repressão ou censura, isso me enche os olhos", porém esse debate deve ser sério e não uma continuidade de "Maria vai com as outras", ou simplesmente uma arruaça para fazer barulho sem nada protestar com fundamento.
 
Não estou aqui para defender a presidente, nem muito menos quaisquer partido, estou aqui para juntos abrirmos os olhos para um olhar coerente com a realidade, e que não sejamos manipulados como assim deseja a classe opressora e dominante do país.
 
Então até a próxima quarta-feira.
Grande abraço, Lindy Campos