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sábado, 15 de novembro de 2014

Corpo do ex-ministro Adib Jatene é velado em São Paulo


Está sendo velado desde a manhã deste sábado (15) no anfiteatro do Hospital do Coração, em São Paulo, o corpo do médico e ex-ministro da Saúde Adib Jatene. Ele morreu na noite de sexta-feira (14), aos 85 anos. Segundo o hospital, a causa da morte foi infarto agudo do miocárdio. O enterro será às 17h, no Cemitério do Araçá, também na capital paulista.

Alexandre Padilha, que neste ano concorreu ao governo de São Paulo pelo PT e não se elegeu, lamentou a perda de Jatene.

"Perdemos uma das figuras mais humanas que eu conheci na minha vida. Adib era humano e respeitoso em defesa de suas opiniões, nas críticas, no cuidado com seus pacientes. Mas também quando brincava com suas engenhocas, ele gostava de criar peças, próteses e válvulas que salvaram muitas vidas", disse Padilha ao G1. "É uma das mentes mais humanas que já vi. O professor Adib Jatene era mais do que tudo especialista em gente".

O secretário de Saúde do estado de SP, David Uip, lembrou do perfil acadêmido e de pesquisador de Jatene. "É uma perda enorme, de um professor de medicina, como ele gostava de ser chamado, de um pesquisador, descobridor de técnicas e materiais, um dos maiores gestores públicos que este país ja teve. Para mim, uma perda pessoal também porque tínhamos um convívio desde o início da faculdade de medicina, convivência que continuou [ao longo dos anos]. É uma perda para aqueles que acreditam na boa medicina e na boa saúde pública"

Eduardo Jorge, médico sanitarista que foi candidato à presidência pelo PV, também esteve presente. "O doutor Adib é a maior figura da saúde brasileira nos últimos 50 anos, com certeza. E ao mesmo tempo uma pessoa de sentimento em relação ao Brasil, ao seu povo, de humanismo, como todo médico deve ser, mas no caso dele foi excepcional. Quantas vezes o doutor Adib foi na praça, nas igrejas, nas manifestações públicas conversar com o povo de São Paulo. Era impressionante o carinho dele com o povo brasileiro".


Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, também falou sobre os valores de Jatene. "Para a colonia sírio-libanesa, nós perdemos um dos nossos maiores representantes. Desde pequeno ouço meus pais falarem da trajetória de Jatene, de décadas de espírito público, honradez, retidão, compromisso com a saúde, um dos maiores cardiologistas do mundo, foi um homem que projetou o nome do Brasil internacionalmente,uma pessoa que vai fazer falta pelo legado e pelo que reprrsenta para o Brasil", disse Haddad.

Miguel Jorge, ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, lembrou a última vez que esteve com Jatene. "Eu acho que fui um dos últimos pacientes dele. Em junho eu vim aqui no Hcor com um exame que eu tinha feito, pedi para ele olhar e ele ligou para a secretária pedindo para arrumar um apartamento [quarto de internação]. Eu fiquei uma semana. Ele era assim, uma figura, um grande amigo, foi uma perda enorme. Tenho uma relação especial com ele, porque nós dois somos descendentes de libaneses", falou.

Paulo Skaf, empresário, e ex-candidado pelo PMDB ao governo de São Paulo, lembrou que falava sempre com Jatene. "O doutor Adib Jatene era membro do nosso conselho estratégico da Fiesp e quando debatíamos assuntos ligados à energia, educação, desenvolvimento e emprego ele observava muito e com o mesmo brilhantismo, inteligência e equilíbrio que ele se destacou na medicina, opinava em diversos assuntos. Além de brilhante médico, que salvou muitas vidas, era equilibrado e muito inteligente, tinha todo o bom senso para analisar as questões com uma grande preocupação com as pessoas", falou Skaf.

O senador recém-eleito por São Paulo, José Serra, também lamentou a morte do ex-ministro. "O Adib foi um grande homem publico, uma grande pessoa, é uma perda muito grande para todos nós. Eu tive a possibilidade de praticamente sucedê-lo no ministério da Saúde e sei muito bem da importância do trabalho que ele fez pelo conjunto da saúde pública do Brasil. Era um trabalhador, suava a camisa".

Em nota, o presidente do Senado, Renan Calheiros, definiu Jatene como um exemplar profissional da medicina. "Tive o privilégio de conviver com ele em circunstâncias diversas. Sempre foi para mim um aprendizado fecundo. Tornei-me um dos muitos admiradores de seu humanismo, de sua visão precisa e abrangente da Saúde Pública e de seu amor ao povo brasileiro, principalmente aos menos favorecidos e por isso mais necessitados do poder público. O legado de seu trabalho será, com certeza, aproveitado por muitas gerações".

O diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), José Otávio Costa Auler Junior, afirmou ter recebido a notícia com profundo pesar. "Motivo permanente de inspiração para todos que o rodeavam, Jatene conseguiu, sempre, unir o mais absoluto rigor nos procedimentos médicos a um tratamento humanizado, em uma relação sempre próxima de cada um de seus pacientes. Sua postura ética e justa foi, e será, um farol a iluminar toda a Medicina. Devo muito da minha carreira a ele, que sempre teve uma palavra amiga e encorajadora a oferecer", afirmou em nota

A presidente Dilma Rousseff e o Ministério da Saúde divulgaram notas de pesar.

Em 22 de setembro deste ano, Jatene havia sido internado também após sofrer um infarto. Em maio de 2012, o médico já havia sido internado com dores no peito e passado por um cateterismo. No procedimento, ele precisou colocar um stent (prótese metálica para a desobstrução de artérias).

Jatene era diretor-geral do HCor e um dos pioneiros da cirurgia do coração no Brasil. Ele deixa quatro filhos – os também médicos Ieda, Marcelo e Fábio, além da arquiteta Iara – e a mulher Aurice Biscegli Jatene.

Fonte: G1