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sábado, 25 de outubro de 2014

Rio: Delegada fez seguro de vida dias antes de morrer

Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia

Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Marjorie Avelar e Tamyres Matos

Um assassinato premeditado, que pode ter sido cometido enquanto a filha de 3 anos do casal estava em casa e por interesse em um seguro de vida. Esta é linha de investigação da morte por asfixia da delegada Tatiene Damaris Sobrinho Damasceno Furtado, segundo o titular da Divisão de Homicídios, delegado Rivaldo Barbosa. Ele ouviu o depoimento do estudante de Direito Alessandro Oliveira Furtado, de 39 anos, viúvo da vítima, que confessou o crime.

A policial civil, que também era mãe de um adolescente de 17 anos, de outro relacionamento, trabalhava como adjunta na 36ª DP (Santa Cruz), desde agosto. A casa da família fica em Realengo. O acusado, que teria usado uma luva cirúrgica para cometer o crime, seria beneficiado com o dinheiro da apólice do seguro feito por Tatiene há cerca de 15 dias.

“Ele teria direito ao valor por causa da parte da filha pequena que o casal teve, além da pensão da delegada”, ressaltou. “Acreditamos que foi uma ação orquestrada, violenta, antes de entregar a filha ao transporte escolar”, afirmou o titular da Divisão de Homicídios.

Barbosa contou que Furtado, por volta das 6h15 de quinta-feira, entregou a filha para o transporte escolar que todos os dias buscava a criança para deixá-la em uma creche. A motorista, que prestou depoimento na delegacia, percebeu algo incomum, pois era sempre a mãe quem levava a menina até o veículo.
“No dia do crime, foi o pai quem fez isso, o que levanta a suspeita de que ele tenha matado a nossa colega antes deste horário (6h15), com a filha ainda em casa. Depois disso, ele foi à faculdade por volta das 9h, onde participou de forma até mais ativa das aulas, segundo colegas. Na volta, ele desarrumou a cena do crime, para parecer que houve um latrocínio (roubo seguido de morte), mas não há sinais de arrombamento”, contou Rivaldo.

A vítima foi encontrada caída no chão, com um travesseiro embaixo da cabeça. “Uma gambiarra foi feita na energia elétrica, mas não sabemos ainda se a vítima levou choques”, informou o delegado, destacando que em momento algum o viúvo mostrou-se triste, mas assustado com tudo que estava acontecendo.

Viúvo caiu em contradição várias vezes ao depor

Em depoimento, o viúvo entrou em contradição por várias vezes. “Primeiro, ele disse que a esposa teria sido morta por um grupo criminoso organizado; depois, vítima de um assalto seguido de morte. Contou ainda que a arma da delegada havia sido levada pelos supostos bandidos, porém, foi encontrada atrás do rack da TV. Enquanto trocávamos informações com a perícia, que estava naquele momento na casa, o autor acabou confessando ter feito uma ‘besteira’, segundo expressão do próprio depoente”, relatou Barbosa, que levou o autor do crime à residência para reconstituir o homicídio, ainda na quinta-feira.
Após confessar o crime, ele disse ter matado a esposa em tentativa de se defender, porque ela teria tido um acesso de raiva, após pedido por escrito de divórcio. O papel foi encontrado na casa, mas o delegado acha que pode ser falso.

“Ele alegou ter tentado se defender quando ela apontou a arma em suposta briga. Disse que a derrubou no chão com um golpe de luta, quando teria começado a asfixiá-la com o antebraço esquerdo e tentado pegar a arma com a mão direita. Não acreditamos, pois, se a vítima estivesse com o dedo no gatilho, na luta corporal teria disparado pelo menos um tiro, nem que fosse durante um espasmo enquanto era asfixiada.”

‘A sociedade e a família clamam por justiça diante de um crime bárbaro’

O corpo foi sepultado ontem no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. “Ela era um ser humano maravilhoso. Uma biblioteca de Direito ambulante”, disse a colega Rosa Maria Ferreira da Silva, 65 anos. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, lamentou. “Parece que estamos diante de mais um caso de violência doméstica, mas a Divisão de Homicídios já está bem adiantada quanto à motivação. É uma perda importante. É uma delegada que a gente conhecia a história.”
Parentes divulgaram nota: “A família encontra-se profundamente abalada com o fato, principalmente por se tratar de uma cidadã que atuou com seriedade no âmbito da segurança pública e por ser mãe, mulher, responsável, atuante. A sociedade e a família clamam por justiça diante de um crime bárbaro no seio do seu próprio lar. Neste momento nos fortalecemos com orações ao criador.”
O chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, ressaltou a rapidez com que se chegou ao assassino confesso. “Nas primeiras horas, já tínhamos a suspeita de que o companheiro era o autor.” Vizinhos contam que o casal era tranquilo. “Ele dizia ser evangélico. Sou cristão e tínhamos assuntos em comum. Nunca ia imaginar, era um cara pacato, simpático. Nunca notei desentendimento entre eles”, contou o comerciante Jorge Carlos da Silva Costa, de 65.

Fonte: O Dia - Rio