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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Principal nascente do Rio São Francisco, em Minas, está seca



A principal nascente do Rio São Francisco está praticamente seca em São Roque de Minas. A informação foi divulgada na noite desta terça-feira (23) pelo Estadão, após uma equipe ter subido a Serra da Canastra e não encontrar a nascente e seus afluentes.
O analista ambiental do parque Vicente Faria verificou a situação ao lado do encarregado pela área, Luiz Arthur Castanheira. Eles contaram que se trata de uma situação inédita na história e preocupante. Faria disse que a estiagem e os incêndios aceleraram o processo, pois a água que era pouca teve ser usada para apagar o fogo.
Somente em julho, incêndios destruíram 40 mil hectares de vegetação nativa na serra. Segundo o analista, é um período atípico de estiagem. “O clima do planeta está mudando e racionar água é uma necessidade”, disse Farias.
A nascente do São Francisco está na Área de Preservação da Região Centro-Oeste de Minas. O rio, um dos mais importantes do país com 2.700 quilômetros de extensão, tem outras nascentes, mas esta é a primeira e, por isso, deixa em alerta toda a bacia hidrográfica.

Energia

O São Francisco segue para o Nordeste onde encontra o Oceano Atlântico, passando antes por mais de 500 municípios de Bahia, Sergipe, Pernambuco e Alagoas. A estiagem, entretanto, mudou o volume de água em alguns pontos e o reflexo disso é sentido nas hidrelétricas.
A Usina de Três Marias, localizada na cidade mineira que leva o mesmo nome, a 250 quilômetros da nascente, estava operando com apenas 5,71% de sua capacidade, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS). Ela responde por 31,02% da energia consumida no Nordeste.

Medidas

Em um ano foram gastos cerca de R$ 30 milhões em Minas para proteger o São Francisco, mas com a seca intensa os resultados ficaram abaixo do esperado. O Comitê da Bacia Hidrográfica do rio cobra novos investimentos e medidas para definir o uso múltiplo da água. De qualquer maneira, somente a chuva pode resolver o problema. “A seca está de um jeito nunca visto, o jeito é rezar para chover”, disse Luiz Castanheira, coordenador do Parque da Serra da Canastra. No local há nascentes que servem também ao Rio Grande.

Fonte: Correio de Alagoas